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Comer bem

Você está comendo o suficiente? A armadilha de comer de menos

A gente ouve conselhos sem fim sobre comer menos. Bem menos sobre as pessoas que, em silêncio, comem pouco demais para o quanto se mexem. Comer de menos é mais comum do que se imagina, e pode te deixar cansado, com a mente nublada e travado.

Variedade de legumes

Photo by Chantal Garnier on Unsplash

Dicas rápidas

  • Coma mais nos dias em que você se mexe mais.
  • Reabasteça dentro de algumas horas após um treino puxado.
  • Procure um médico se a menstruação mudar ou as lesões persistirem.

Quase todo conselho sobre comida aponta numa direção só: coma menos, corte, emagreça. Então pode soar estranho, quase suspeito, sugerir que algumas pessoas não estão comendo o suficiente. Mas acontece, e acontece com gente comum e ativa, não só com atletas de elite. Você intensifica as caminhadas ou os treinos, a vida fica corrida, você pula refeições quase sem perceber, e o seu corpo escorrega aos poucos para um déficit que não consegue acompanhar.

Existe até um nome para a ponta mais séria disso. Os pesquisadores chamam de baixa disponibilidade de energia, e quando se arrasta, pode afetar em silêncio quase todos os sistemas do corpo.

O que comer de menos de fato significa

Pense na comida que você ingere como um orçamento que o seu corpo gasta. Parte dessa energia vai para o seu treino. O que sobra é o que o corpo tem para fazer todo o resto funcionar: o coração, os hormônios, o sistema imunológico, os ossos, o cérebro. Essa quantidade que sobra é o que os cientistas chamam de disponibilidade de energia.

Quando você faz mais exercício mas não come mais para acompanhar, o que sobra encolhe. Faça isso com frequência suficiente e não há energia para todo o básico. O seu corpo, sensato que é, começa a cortar custos. Ele desacelera o metabolismo. Reduz funções que trata como não urgentes. Você sente os efeitos muito antes de chegar a chamar isso de problema.

Isso não é só questão de treino intenso. Pode vir de um esquecimento honesto, uma agenda agitada, uma dieta que passou um pouco do ponto, ou simplesmente de não perceber quanto combustível a sua atividade agora exige.

Os sinais de que você está com pouca energia

Comer de menos raramente se anuncia. Aparece como um conjunto de queixas vagas que é fácil culpar o estresse ou a idade. Vale olhar mais de perto se várias destas soam familiares:

  • Você está cansado de um jeito que o sono não resolve.
  • Você sente frio com frequência, ou mais frio do que as pessoas à sua volta.
  • Seus treinos parecem mais difíceis do que deveriam, e você não está ficando mais forte.
  • Você pega todo resfriado que circula, ou feridas e incômodos cicatrizam devagar.
  • Você está tendo lesões que não terminam de se resolver, incluindo dores ligadas aos ossos.
  • Seu humor está apático, seu foco nublado, seu sono desregulado.
  • Nas mulheres, a menstruação fica irregular ou para. Esse é um sinal importante, não uma conveniência.

Esse último importa. Comer cronicamente pouco demais para sustentar a atividade pode suprimir os hormônios reprodutivos, e a menstruação ausente ou irregular é um dos avisos mais claros que o corpo envia. A pesquisa sobre esse padrão o liga a ossos mais fracos, função imunológica enfraquecida, metabolismo mais lento e uma taxa significativamente maior de humor baixo e ansiedade. Nada disso tem a ver com força de vontade. É um corpo tentando se proteger com menos do que precisa.

Comer o suficiente não é indulgência. É o combustível que faz tudo o mais no seu corpo funcionar.

Comer para voltar ao equilíbrio

A boa notícia é que a solução costuma ser direta, mesmo que peça que você desaprenda alguns hábitos. Você come mais, e come com constância.

  1. Combine o seu combustível com o seu esforço. Nos dias em que você se mexe mais, coma mais. O seu apetite nem sempre é um guia confiável aqui, especialmente se você se treinou a ignorá-lo, então não espere ficar morto de fome para comer.
  2. Não pule refeições em torno do exercício. Coma algo antes de um esforço mais longo, e reabasteça depois. Um lanche com proteína e carboidrato dentro de algumas horas após uma sessão dura ajuda o corpo a reconstruir em vez de se desgastar.
  3. Distribua a comida ao longo do dia. Três refeições mais alguns lanches mantêm o tanque cheio muito melhor do que um único jantar grande depois de passar em jejum desde o café da manhã.
  4. Que seja comida de verdade que você vá de fato comer. Isto não é uma licença para o caos, mas é um lembrete de que mais energia, incluindo carboidratos e gorduras saudáveis, é o objetivo. Comer pouca gordura ou poucos carboidratos é uma causa silenciosa muito comum.

Muita gente se surpreende com a rapidez com que parte da névoa e do cansaço se dissipa quando simplesmente come o suficiente.

Quando buscar mais ajuda

Se você suspeita que vem comendo de menos há um tempo, especialmente se a sua menstruação mudou, você está tendo lesões que se repetem ou se sente constantemente sem energia, fale com um médico ou com uma nutricionista registrada. Eles podem verificar o que está acontecendo e te ajudar a reconstruir com segurança.

Há mais uma coisa para sustentar com cuidado. Se comer mais te dá medo, se a sua relação com a comida e com o seu corpo está embolada com controle, medo ou culpa, isso também merece apoio de verdade, e não há vergonha nenhuma nisso. Um médico ou um terapeuta que trabalhe com questões alimentares pode ajudar. O seu corpo não está pedindo que você seja menor. Está pedindo para ser alimentado.

Fontes

Antes de ir, uma palavra sobre cuidado

A KEEP CALM oferece ferramentas educativas e gratuitas de autoajuda. Isto não é orientação médica, diagnóstico ou terapia, e não substitui o atendimento profissional. Se algo aqui ressoar como mais do que o estresse do dia a dia, procurar um profissional é um passo forte e sensato.

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